Insignificância

Insignificância 

O sentimento de insignificância surge da noção de que estamos absolutamente sós. Não pertencemos a nada maior que nós mesmos. A vida é um mero acidente. Não há nada para mim além desse universo físico, nem para mim ou para minha vida.

Mas, qual é o custo de acreditarmos na nossa insignificância e não acreditarmos em mais nada? Pode haver algum valor nisso?

Albert Camus usava a insignificância para iniciar o processo de busca de algum significado. Ao olhar para a insignificância, estamos livres para inventar qualquer significado. O propósito da vida humana é inventar propósitos. Sem um significado a vida humana não tem sentido. Nós somos os fabricantes do significado.

Assim, até mesmo diante de insignificância, Camus encontrava um significado. Ele dizia que os seres humanos deveriam cultivar a coragem, o orgulho, o amor, a comunidade e a justiça social. Mas antes que possamos cultivar essas coisas, temos que aceitar a insignificância.

Camus está certo? A vida não tem nenhum sentido? Qualquer significado que enxergamos nela não passa de uma ilusão da nossa mente?

As pessoas não gostam de pensar nessas coisas. Mesmo assim, existem momentos em que qualquer significado parace falso. A vida parece sem sentido.

Quando estamos diante da insignifcância, perdemos a esperança em tudo e em todos. Não vemos valor em religiões ou filosofias. Tudo soa como uma fraude. Sem esperança e fé, ficamos deprimidos, debilitados, doentes. Alguns chegam até mesmo a pensar em suicídio.

Nessas situações, devemos enfrentar o medo da insignificância e ver o que acontece. Quando não acreditamos em mais nada, passamos a acreditar em nós mesmos. Nossa vida, então, começa a ter um significado especial. Começamos a viver com mais felicidade.

Quando ousamos questionar o significado da vida, esta é a primeira fase do nosso crescimento. Só quando olhamos nos olhos do medo, temos condições de nos mover além dele. Caso contrário estaremos sempre fugindo da possibilidade de que nossas crenças são falsas e arbitrárias.

Pessoas que não conseguem encarar a possibilidade de que a vida não tem sentido algum, são, com frequência, crentes fanáticos. Eles buscam desesperadamente que os outros acreditem naquilo que eles acreditam, para se sentirem mais seguros. "Afinal, se eu consigo convencer os outros que eu tenho razão, talvez eu tenha mesmo razão!"  Essas pessoas têm medo de desafiar o seu próprio conjunto de crenças, têm medo de discutir convicções diferentes das suas de forma aberta e morrem de medo de estarem completamente erradas. São vítimas fáceis de enganadores, fanáticos e milagreiros, pois morrem de medo o tempo todo.

Na verdade, as pessoas assustadas são assustadoras. Pois elas fazem qualquer coisa para provarem que têm razão e que só a razão delas é a correta.

Quem já encarou o medo dentro dos olhos, não tem motivos para convencer ninguém de nada e nem é alcançado por modismos filosóficos ou por crenças enganadoras. Ele já não precisa de mestres, nem de gurus, pastores, padres e líderes. Ele encontrou todos esses dentro de si mesmo. Têm plena consciência da sua vida, de todos os acontecimentos e suas causas e sabe o caminho que deve seguir para continuar desfrutando da felicidade de ser livre. Livre de dogmas, de crenças, de outros insistindo em indicar este ou aquele caminho.

Insignificância, então, não é o contrário do nosso questionamento sobre o significado da vida, mas, ao contrário, o início da nossa busca por algum significado. Se encararmos a insignificância de forma consciente e sem medo, teremos liberdade para procurar o significado mais profundo da vida. Só quando enfrentamos a possibilidade de que a vida é absurda, podemos ver além das teorias e começar a ver o significadeo como ele é de verdade.

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1 Comment(s)

  1. Fantástico meu caro, muito bom.

    Carlos | 14/fev/2009 | Responder

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